domingo, 11 de novembro de 2012

Reflexões sobre o Ensinar e o Aprender


“Quando entro numa sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas de meus alunos, a suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar e não a de transferir conhecimento.”  Paulo Freire

Tomo as palavras de Paulo Freire para, a partir delas, alinhavar estas breves reflexões sobre as relações entre professor e aluno no contexto cotidiano da sala de aula.

Os altos níveis de fracasso escolar verificados nos diferentes graus de ensino, somados ao desinteresse e à melancolia em relação aos saberes escolares cotidianamente expressos por inúmeros alunos, expressam um profundo estranhamento na base destas relações.

Identificar professor com ensino e aluno com aprendizagem, como costuma acontecer, aponta uma forma de compreender a sala de aula como um espaço assimétrico e vertical, onde o professor desempenha tarefas centrais a partir das quais constitui-se o lugar dos alunos.

Há, nesta perspectiva, um modo autoritário de compreender a escola e a prática pedagógica, que dicotomiza o cenário, produzindo polaridades e separações. A um professor que transmite e classifica, corresponde um aluno que absorve e decora.

Pois bem, (re)significar estes ligares implica reconhecer professor e aluno enquanto parceiros no processo de construir saberes que aproximem curricularmente tanto o que foi produzido pela humanidade nos diferentes campos ao longo da história, quantos os conhecimentos que são gerados no cenário social em que ambos estão envolvidos.

Conferir ao alunos esse lugar de quem já sabe algo quando entra na escola ou quando começa uma nova disciplina, constitui-se condição “sine qua non” para transformar o quadro desalentador mencionado.
Não se trata de confundir as funções: o professor segue sendo quem organiza, promove, articula e, sobretudo, faz as mediações necessárias à concretização cotidiana do projeto educativo no âmbito da sala de aula. Contudo, o faz a partir da escuta, da investigação, do respeito à trajetória social e pessoal do aluno.

Paulo Freire fala de ensinar e não de transferir conhecimento. O ensino pressupõe aprendizagem. Se o aluno não aprende, o estranhamento se explica.
Se o aluno não aprende, o professor há que revisar o caminho que percorre no processo de ensinar.
Nesta perspectiva, podemos pensar em relações(re)inventadas entre professor e aluno, num contexto escolar que de fato eduque, que de fato “escute” o tempo e o espaço em que está circunscrito e que, a ele, dê respostas diferenciadas e qualificadas..
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